Palmela

UMA VILA HISTÓRICA A MEIA HORA DE LISBOA

Ao percorrer a A(utoestrada) 2, se estiver atento à paisagem, repara que existe um imponente castelo que se destaca no alto de uma serra. Com efeito, fica a poucas dezenas de quilómetros da Ponte 25 de abril, do lado direito, quando vamos para sul.

De facto, é o castelo de Palmela, uma das vilas com mais história ao redor de Lisboa.

Assim, encaixada entre as bacias do rio Sado e do Rio Tejo, Palmela merece, sem dúvida, uma visita.

Tanto pela história que aqui se respira, como pela vista deslumbrante em redor.

O centro histórico de Palmela situa-se no alto de um monte. O tal que se vê de longe. Lá do alto, a vista abrange o mar e serra. 

A par disso, esta é uma bonita vila com tradição vinícola. De modo geral, o ambiente ainda é de vida de bairro. No centro histórico, ergue-se o castelo, com uma luxuosa Pousada. Pelo monte abaixo, as ruas são estreitas e as casas antigas, brancas e tradicionais. 

A juntar a estes atrativos, Palmela oferece um vasto conjunto de produtos tradicionais. Nomeadamente, os doces, queijos e bons vinhos. Estes, em tons de branco, tinto e moscatel.

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UMA DAS MAIS DISTINTAS REGIÕES PRODUTORAS DE VINHO

Em 1185, Palmela recebeu o primeiro foral que a consagrou como vila, por iniciativa do primeiro rei de Portugal. D. Afonso Henriques. Curiosamente, já nessa altura, o documento fazia referência à vinha e ao vinho que se cultivavam e produziam nesta região.

Com efeito, a produção de vinho é uma tradição que ainda hoje se mantém viva nas diversas adegas de Palmela. Em redor, a paisagem de vinha estende-se por montes e vales. Nesta região, produzem-se vinhos brancos, tintos e ainda o tradicional vinho moscatel.

Para quem conhece e aprecia vinhos, Palmela é sinónimo de qualidade. A par disso, pode também ser sinónimo de uma visita às adegas…

Enfim, o mais difícil é escolher. Além da Adega Cooperativa de Palmela, aqui encontra a Adega Camolas, a Quinta de Alcube, ou a Casa Agrícola Assis Lobo. E ainda a Quinta do Piloto, a Adega de Monte Barro, e também a histórica Venâncio da Costa Lima, na Quinta do Anjo.

Em regra, as adegas estão abertas, e pode comprar vinho diretamente ao produtor. A par disso, todos os anos, em setembro, Palmela celebra a tradição da vinha e o vinho na animada Festa das Vindimas.

A PÉ OU DE BICICLETA, PERCORRA A BONITA SERRA DO LOURO

Do ponto privilegiado do castelo de Palmela, a vista estende-se sobre a vila, as serras da Arrábida e do Louro. Noutra vertente, temos o mar mais e os vales em redor, pintalgados de casario e de vinhas.

Na vila, vale a pena percorrer as ruas, espreitar os miradouros e trocar dois dedos de conversa om os habitantes. Se for apreciador de doces, está no sítio certo. Afinal, Palmela oferece delícias tradicionais como os Santiagos, o Pastel de Moscatel, ou as Fogaças de Palmela. Acha muito? Há ainda os Carolinos, os Bolinhos de Amêndoa, os Suspiros de Palmela e a Pera Cozida em Moscatel de Setúbal. Impossível resistir…

Abastecido de energia, descubra a serra que se estende até Palmela. É a Serra do Louro, marcada por uma fileira de moinhos ao longo da sua crista. Lá em cima, existe um antigo povoado pré-histórico, o Castro de Chibanes. Além disso, se souber procurar, ainda descobre uma parede de terra cheia de conchas. Ou melhor, fósseis de conchas, encrustadas em camadas de solo com milhares de anos. 

Sem dúvida, a Serra do Louro é um dos locais mais apetecíveis da região. Tanto para fazer caminhadas como passeios de bicicleta. 

Ao percorrer a serra, facilmente se cruza com outros caminheiros e também ciclistas, que fazem destes passeios uma rotina de grupo e de convívio.

São muitos os percursos bem conhecidos dos frequentadores habituais. É o caso do Trilho das Vacas, Trilho do Fio Dental ou Trilho dos Moinhos.

Naturalmente, nunca deverá percorrer qualquer serra sozinho, por questões de segurança. Mesmo que tenha experiência nestas atividades, pode torcer um pé ou cair da bicicleta. Mais vale juntar os amigos, ou entrar num dos muitos grupos que desfrutam regularmente da bonita Serra do Louro.

Afaste-se das multidões e percorra o Portugal mais autêntico

Palmela é famosa pelos vinhos, mas pouco conhecida pela sua história. Descubra o imponente castelo de origem árabe e a vila de ruas estreitas e casas antigas.

A ORDEM MILITAR QUE FEZ DE PALMELA A SUA SEDE

Atualmente, a Ordem de Santiago de Espada é uma distinção honorífica que o Presidente da República consagra a cidadãos que se distinguem. Seja por motivos científicos, artísticos ou literários. No entanto, durante séculos, esta Ordem Militar inspirou monges guerreiros a juntarem-se à luta pelo território português.

Com efeito, a Ordem Militar de Santiago de Espada era devota do Apóstolo Santiago Maior, e nasceu em 1170. Uma iniciativa do rei de Leão, D. Fernando II. Este rei era casado com a infanta D. Urraca, filha de Afonso Henriques e de D. Mafalda de Sabóia. Ou seja, era genro dos primeiros reis de Portugal.

Deste modo, a conquista do território que hoje conhecemos como Portugal ainda estava em curso. E havia muitas batalhas por travar.

Assim sendo, em 1172, D. Fernando II enviou a Ordem de Santiago para auxiliar o sogro, futuro rei de Portugal, na reconquista cristã aos muçulmanos, que na altura ocupavam a Península Ibérica. Nos anos seguintes, a Ordem de Santiago desempenhou um papel importante na formação de Portugal.

A ORDEM DE SANTIAGO DE ESPADA EM VERSÃO PORTUGUESA

Inicialmente, a Ordem de Santiago de Espada estabeleceu a sua sede portuguesa no convento de Santos o Velho, em Lisboa. Mais tarde, mudou-se para Alcácer do Sal e, por fim, Mértola, no Alentejo.

Sediados cada vez mais para sul, viriam a ser determinantes na reconquista do Algarve aos muçulmanos. Com efeito, esta etapa da reconquista aconteceu já no reinado de Afonso III, em 1249. Deste modo, ficou definido o território nacional que hoje caracteriza Portugal.

O mestre da Ordem de Santiago sempre foi castelhano, mas isso mudou em 1452. Nesse ano, o papa Nicolau V reconheceu a autonomia do ramo que existia em Portugal, na bula Ex apostolice sedis. Assim, foi escolhido o primeiro mestre português da Ordem de Santiago. A escolha recaiu sobre o Infante D. Fernando, Duque de Viseu e de Beja, e também Mestre de Avis.

Efetivamente, foi neste contexto, que, em 1482, a Ordem de Santiago mudou a sua sede para Palmela. Uma vila que ficou para sempre associada a estes bravos cavaleiros.

De facto, Palmela foi o lar da Ordem de Santiago, até que, em 1551, as Ordens Militares e Religiosas se uniram à Coroa. O último mestre da Ordem de Santiago foi um filho ilegítimo do rei D. João II. Chamava-se D. Jorge de Lencastre, e ficou sepultado na igreja do castelo de Palmela.

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Imagem de Pedro de Souza e Holstein

Imagem de Pedro de Souza e Holstein, 1º Duque de Palmela.

A ESCOLHA DO DUCADO DE PALMELA

Nas imediações de Palmela, muito perto das praias da Arrábida, encontramos a imponente Quinta de Calhariz, uma herdade cheia de história que hoje aposta no vinho e na floresta, e cria gado e cavalos lusitanos. Aposta ainda no turismo, com diferentes unidades de alojamento que acolhem visitantes durante todo o ano.

Com efeito, desde o século XV que esta propriedade, com mais de 70 hectares, pertence à família do primeiro Duque de Palmela. Pedro de Souza e Holstein recebeu o título nobiliárquico por se distinguir como diplomata. A par disso, foi uma peça-chave nas guerras liberais, no século XIX.

Deste modo, o ducado de Palmela foi-lhe atribuído no reinado de D. Maria II. Mais precisamente, em 1833, por intermédio do seu pai e regente, D. Pedro IV.

Na verdade, o plano original era ser Duque do Faial. Contudo, Pedro de Souza e Holstein escolheu Palmela, já que a propriedade da família se situava nas imediações. 

Hoje em dia, pode pernoitar como hóspede neste local histórico que é a Casa de Calhariz. Para isso, basta escolher uma das casas disponíveis na herdade. Ali perto, encontra outro alojamento de luxo que também pertence à mesma família, a Casa Palmela. Entrou a família de Souza e Holstein através da mãe do Duque, Isabel Paim, pois a propriedade pertencera a seu pai.

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A BONITA HISTÓRIA DE AMOR NA ORIGEM DO DUQUE DE PALMELA

Nascido em Turim, Itália, o primeiro Duque de Palmela é fruto de uma original história de amor. Com efeito, a sua mãe era Isabel Juliana de Sousa Coutinho Monteiro Paim. Uma rica herdeira, filha do embaixador de Portugal em França.

Desde criança que Isabel, órfã de mãe à nascença, se tornara amiga do jovem Alexandre de Souza e Holstein. Os dois jovens costumavam brincar na Quinta do Calhariz, e apaixonaram-se. No entanto, o casal foi impedido de se unir em matrimónio. Contra a vontade de Isabel, Vicente Paim, o pai da rica herdeira de quinze anos, prometeu-a em casamento. Nada mais nada menos do que ao filho do todo-poderoso Primeiro Ministro do rei D. José I, o então Conde de Oeiras. Como sabemos, viria a ser o famoso Marquês de Pombal.

Isabel Paim

Imagem de Isabel Paim

«O BICHINHO DE CONTA»

De facto, à luz do pensamento da época, restaria a Isabel obedecer ao pai. Por isso, e a jovem acabou por subir ao altar, contrariada, a 11 de abril de 1768, para casar com José Francisco.

Contudo, estava decidida a não acolher outro marido que não fosse Alexandre, o seu amigo de infância. Assim, enfrentando tudo e todos, arranjou maneira de o casamento nunca ser consumado. Todas as noites, embrulhava-se numa espécie de saco, feito com lençóis cosidos, e ali dormia, fechada e enrolada. Como «um bichinho de conta». Segundo consta, a expressão terá sido utilizada pelo sogro, o Marquês de Pombal, ultrajado com a atitude da nora.

Assim sendo, o tempo foi passando e o caso tornou-se motivo de chacota nacional. Deste modo, o Marquês de Pombal sentiu-se publicamente envergonhado e, ao fim de três anos, acabou por pedir ao Papa a anulação do casamento.

A anulação seria proferida por Clemente XIV em 1772 e, sem o apoio da família, talvez com receio de represálias do poderoso Primeiro Ministro do reino. Em consequência, a noiva rebelde foi enviada para o convento do Calvário, em Évora, com a proibição de contactar com quem quer que fosse.

Estoicamente, Isabel Paim resistiu durante anos. Até que, em 1777, o pai morreu e a nova rainha, D. Maria I, demitiu o Marquês de Pombal. Deste modo, a jovem vê chegar ao fim o seu calvário.

De volta à liberdade, tem à sua espera Alexandre de Souza e Holstein, com quem acaba finalmente por casar, dois anos mais tarde.

Com efeito, viriam a ser pais de Pedro de Souza e Holstein, o primeiro Duque de Palmela. Nasceu em Turim, em 1781 e, no batismo, teve a bênção da rainha de Portugal, D. Maria I.

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