Convento de Jesus

O INÍCIO DO ESTILO MANUELINO

O Convento de Jesus, com a sua bonita Igreja, é o principal monumento histórico de Setúbal. Mais do que isso, é um edifício emblemático em Portugal, pois é um dos primeiros monumentos do país em estilo manuelino. A fundação do convento de Jesus, em finais do século XV, deve-se a uma mulher, Justa Rodrigues Pereira. Mas qual a importância desta mulher, e por que razão teve apoio régio para o construir?
  • Morada: Rua Acácio Barradas, 2,, Setúbal. 

  • Horário:  

  • Preço:  Gratuito.

  • Acessibilidade:  Existe um degrau na entrada. 

  • Contacto:  

Justa Rodrigues Pereira

Justa Rodrigues Pereira

O rei improvável e a ama que o criou

Existem poucas certezas sobre a origem de Justa Rodrigues Pereira. Pensa-se que terá nascido na década de 20 do século XV, possivelmente na região da Guarda. Não seria de linhagem nobre, embora haja quem a indique como descendente de D. Nuno Álvares Pereira, mas a sua vida viria a estar estreitamente ligada à realeza. Sabe-se que um dos irmãos de Justa Rodrigues Pereira era criado de D. Fernando (1433-1470), segundo filho varão do rei D. Duarte e Duque de Viseu. Assim, terá sido por influência deste irmão que Justa se tornou a ama do filho mais novo de D. Fernando, D. Manuel, nascido em Alcochete em 1469.

D. Manuel, o Venturoso

Sobrinho do Rei D. Afonso V, D. Manuel não estava na linha direta de sucessão. No entanto, por morte do seu primo e cunhado, o rei D. João II, que faleceu sem herdeiros legítimos, veio a ocupar o trono em 1495.

D. Manuel I recebeu o cognome de «O Venturoso» ou «o Bem aventurado» e ficaria para a história como o rei que dinamizou o apogeu da expansão marítima portuguesa iniciada por D. João II. foi no seu reinado que Vasco da Gama descobriu o caminho marítimo para a Índia e que Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil. Em suma, foi durante o seu reinado que Portugal passou a ser um império espalhado pelo mundo.

Rei D. Manuel I

Rei D. Manuel I

D. Manuel ficou também para a posteridade associado a um estilo arquitetónico muito próprio, o estilo manuelino, onde se acrescentavam a um estilo gótico tardo elementos exóticos e marítimos, a par da Cruz de Cristo e da Esfera Armilar. Alguns dos ex libris do estilo manuelino são o Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém e o Convento de Cristo, em Tomar, onde se situa a famosa Janela Manuelina.

Um edifício com muita história

O Convento de Jesus, em Setúbal, é tido como uma das primeiras manifestações do estilo manuelino. Inclusivamente, o edifício terá sido a primeira obra do mestre francês Diogo de Boitaca, que viria a ser, mais tarde, também responsável pelo Mosteiro dos Jerónimos.

Setúbal foi a cidade escolhida por Justa Rodrigues Pereira para a construção do edifício, num terreno doado por D. Fernando, pai de D. Manuel. Situava-se fora das portas da cidade, mas junto a uma das entradas, no bairro do Troino.

A motivação para a construção terá sido religiosa, já que a ama de D- Manuel manteve um relacionamento com D. João Manuel, bispo da Guarda e filho bastardo do rei D. Duarte, e com ele teve dois filhos. Talvez para salvar a alma, a dada altura da vida Justa Rodrigues Pereira decidiu professar a ordem das Clarissas e quis construir um convento onde pudesse ingressar e reunir o panteão familiar. 

A possível promessa transformada em convento

A par das questões religiosas, consta ainda que o convento poderá ter resultado de uma promessa feita numa época em que a mortalidade infantil era elevada: a ama prometera que, se D. Manuel chegasse a homem, faria uma igreja. E fê-la, com um convento acoplado, já que o menino que amamentara não só chegara à idade adulta como acabaria mesmo por subir ao trono.

Planta da Igreja de Jesus, da vila de Setúbal e do seu convento de freiras (1699-1743) por João Tomás Correia.

Planta da Igreja de Jesus, da vila de Setúbal e do seu convento de freiras (1699-1743) por João Tomás Correia.

A licença papal para construção do convento chegou em 1489 e a construção começou no ano seguinte, ainda durante o reinado de D. João II. Com efeito, foi aqui que este monarca ratificou o Tratado de Tordesilhas, em 1494. Um tratado ambicioso entre Portugal e Espanha, que dividia o meundo inteiro entre estes dois países de conquistadores.

Além do apoio régio, o convento de Setúbal contou igualmente com donativos de nobres, de privados e, claro, de D. Manuel, antes de depois de subir ao trono em 1495. Em início de reinado, coube a D. Manuel I a ampliação da obra da sua ama, bem como a doação de riquezas para o seu recheio, entre elas os sinos e uma coleção de quadros alusivos a santos, tendo ambos chegado aos nossos dias.

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DO PASSADO RELIGIOSO AO PRESENTE TURÍSTICO

As primeiras freiras, da ordem franciscana das carmelitas descalças, ocuparam o convento de Jesus em 1496. No entanto, este espaço religioso acolhia igualmente jovens oriundas da nobreza, da burguesia abastada e de camadas menos favorecidas da sociedade.
 
Em 1834, foi decretada em Portugal a extinção das ordens religiosas e, algumas décadas depois, o convento viu o seu fim com a morte da última freira em 1888. 
 
Em 1910, a igreja foi considerada Monumento Nacional e em 1933 a classificação é alargada a todo o edifício. Posteriormente, o convento de Jesus foi entregue à Misericórdia e ali funcionou durante algum tempo um hospital. Inclusivamente, foi ali que faleceu o ministro de Salazar Duarte Pacheco, em 1943, na sequência do acidente de automóvel que teve na estrada nacional 4.

Um projeto inacabado

Em 1969, o Convento de Jesus sofreu danos com o terramoto que abalou a região de Lisboa e Vale do Tejo.

Seguiram-se anos de descuido, em que esteve fechado ao público, até que em 1998 se iniciou o processo de recuperação, extensão e reconversão em museu, com um projeto do arquiteto Carrilho da Graça.

Abriu ao público parcialmente em 2015, mas ainda sem a conclusão do projeto.

Atualmente, o convento sonhado e concretizado pela ama do rei D. Manuel I está afeto à Direção Regional da Cultura de Lisboa e Vale do Tejo e integra os espaços museológicos do Município de Setúbal.

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Em Setúbal, encontra a tranquilidade da serra e do mar, impressionantes miradouros, e refeições memoráveis de peixe acabado de pescar. Encontra ainda a vontade de regressar em breve. 

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