Villa Romana de Milreu, Estói
O ESPLENDOR DO MOSAICO ROMANO EM PLENO ALGARVE
Na aldeia de Estoi, a apenas 8 km de Faro, no Algarve, encontramos a Villa Romana de Milreu. Foi habitada desde o século I até ao século X. Com efeito, aqui encontramos impressionantes painéis de mosaico romano, e ainda uma antiga casa rural algarvia, do século XV. Sem dúvida, um espaço a visitar.
UM ESPAÇO RURAL MILENAR
Aparentemente, quando chegamos à entrada, percebemos que a Villa Romana de Milreu é um espaço moderno. Pelo menos, no acesso e no edifício que acolhe o centro de interpretação. neste aspeto, faz lembrar as ruínas romanas de São Cucufate, na Vidigueira, com estacionamento à porta e acessibilidade para quem tem mobilidade reduzida.
No interior do recinto, o espaço é amplo e, desde logo, percebemos que esta foi uma casa de gente importante.
Desde logo, na parte mais alta da villa romana de Milreu, sobressai uma antiga casa rural, caiada de branco, que assentou alicerces nas ruínas romanas.
Com efeito, esta casa rural foi erguida no século XV e, em cada canto do edifício, uma pequena torre revela a função defensiva que já teve para os seus habitantes. No interior, vemos a organização doméstica de outrora e, no pavimento, escavações arqueológicas expuseram antigas paredes e pavimentos romanos, que se estendem em redor.
DE VILLA RÚSTICA A EDIFÍCIO DE LUXO
Com efeito, a Villa Romana de Milreu teve origem no século I e acolheu sempre habitantes, até ao século X. Inicialmente, era uma casa rural mas, ao longo do tempo, sofreu alterações de vulto, tornando-se uma villa luxuosa onde não faltariam banhos, banquetes e convívio.
Do tempo dos romanos, mantém-se o antigo templo, ainda imponente, com parede altas a lembrar os tempos originais. Entre outros elementos, teve outrora uma sala de culto, um pódio, e uma pia batismal paleocristã. Certamente, obra de um senhor poderoso, tal a imponência e complexidade artística do edifício.
Ao que tudo indica, esta villa serviu de morada a um alto dignitário, ligado ao governo da cidade de Ossónoba (Faro), ali bem perto. No vasto complexo, identificaram-se lagares de vinho e de azeite e este proprietário poderá também ter beneficiado de outra grande riqueza do Algarve romano, a pesca e a transformação do peixe em garum e outros preparados, para exportação.
Um pouco por todo o lado, a decoração integra motivos geométricos, mas sobretudo reflete a vida marinha em movimento. Ao longo de três séculos, artífices decoraram paredes e pavimentos com peixes e golfinhos, amêijoas e ouriços do mar.
Sem dúvida, esta é uma preciosidade arqueológica – classificada como Monumento Nacional – que ainda impressiona pela sua beleza.
Efetivamente, a descoberta desta villa deve-se ao arqueólogo algarvio Estácio da Veiga, em 1877. No seu conjunto, os achados arqueológicos que aqui se encontraram mostram a riqueza da Villa Romana de Milreu, e boa parte está em exposição no Museu Municipal de Faro.
A par disso, encontramos também algumas das peças aqui encontradas na sala de exposições do próprio complexo, junto à receção.
Já agora, vale a pena referir outro espaço histórico aqui bem perto, em Estói. Originalmente, era um palácio, hoje transformada na luxuosa Pousada Palácio de Estói, um dos mais requintados alojamentos da região.