Leiria2021-01-24T17:39:36+00:00

LEIRIA, A CIDADE ENTRE O MAR E A SERRA

Situada à beira do rio Lis, Leiria é uma cidade do centro litoral. A capital do distrito com o mesmo nome.

A cidade cresceu entre o belíssimo castelo de Leiria e o rio Lis, na sua base. Assim, o centro histórico é hoje um exemplo de vitalidade comercial e cultural.

Desde há muito, o município de Leiria aposta em preservar as tradições. Ao mesmo tempo, ajuda a população e os visitantes a viverem a cidade em pleno. Por isso, é abundante a oferta de esplanadas, teatros e exposições. A par disso, existem passeios pedestres literários e recriações históricas, e um grande o esforço para preservar o património histórico.

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CULTURA, LITERATURA E MUITA HISTÓRIA

Ao percorrer as ruas de Leiria, vai sentir que esta cidade soube preservar aquilo que tem de melhor. Se olhar para cima, vai reparar no belíssimo castelo sobranceiro à cidade, com arcadas que juntam um toque de elegância a esta robusta estrutura defensiva. Até 2021, está fechado para restauro, mas o seu interior é recheado de vida, com Núcleo Museológico, Serviço Educativo, salas para exposições e conferências, e muitos eventos que habitualmente ali decorrem.

Cá em baixo, no centro histórico, as ruas e os edifícios estão bem preservados, e plenos de vitalidade, com comércio e serviços para todos os gostos. Em Leiria, a vida cultural tem sido uma forte aposta, e por isso é constante a dinamização dos seus dois teatros, e até os passeios pedestres servem para promover a literatura. Afinal, aqui viveu um dos maiores escritores portugueses: Eça de Queiroz.

Considerado um génio da literatura, ficou instalado na Travessa da Tipografia, nº 13, foi Administrador do Concelho e, mais do que isso, situou nesta cidade o mais polémico dos seus romances «O crime do Padre Amaro». Na Rua Barão de Viemonte, em pleno centro histórico, encontra mesmo uma pitoresca cafetaria dedicada ao escritor, o Espaço d’Eça. Vale a pena entrar, porque é uma experiência entre o literário e o gourmet.

O INÍCIO DA PRODUÇÃO DE PAPEL E DE OBRAS IMPRESSAS

Ainda a propósito de cultura, Leiria convida os habitantes e turistas a visitarem o Museu de Leiria, instalado no antigo Convento de Santo Agostinho, do século XVI, e o moderno Museu da Imagem em Movimento, que já recebeu uma Menção Honrosa de Melhor Museu Português.

Outro espaço museológico que vale a pena visitar é o antigo Moinho do Papel, na rua Roberto Ivens.

Este Moinho do Papel data do século XIII e foi a primeira fábrica de papel do país. Em 1411, o rei D. João I concedeu a Gonçalo Lourenço de Gomilde, seu escrivão, uma autorização para fabricar papel, a partir da moagem de cereais.

Mais perto do final do século XV, Leiria foi também uma das primeiras cidades do país a ter produção tipográfica, com a tipografia do judeu Samuel d’Ortas. Uma das primeiras obras impressas foi o Almanach Perpetuum, de Abraão Zacuto, um judeu extremamente culto que foi conselheiro dos reis D. João I e D. Manuel.

LEIRIA, A CAPITAL DO DISTRITO QUE ACOLHE FÁTIMA

Sendo Leiria a capital do distrito que acolhe a meca religiosa de Fátima, a cidade não podia deixar de ter o seu património ligado à fé. Assim, fiéis e turistas podem visitar a Sé Catedral, do século XVI, o Santuário de Nossa Senhora da Encarnação, padroeira da cidade, ou ainda o Santuário do Senhor Jesus dos Milagres, situado a poucos quilómetros do centro. A Igreja da Misericórdia substituiu a antiga sinagoga da cidade, mas hoje acolhe o Centro de Diálogo Intercultural, que celebra a coexistência das três religiões monoteístas na cidade.

Destacamos ainda, nos arredores de Leiria, em Ortigosa, uma casa agrícola do século XIX que se adaptou ao século XXI e se transformou no Agromuseu Municipal Dona Julinha. Se tiver crianças, não deixe de fazer uma visita, pois é garantia de diversão e aprendizagem.

Existem bilhetes conjuntos, a preços muito acessíveis, para visitar até 4 monumentos, entre o Castelo, o Agromuseu, o Museu da Imagem em Movimento e o Moinho de Papel. Pode decidir quantos destes espaços quer visitar, e adquirir o respetivo bilhete em qualquer um destes locais.

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A GASTRONOMIA TÍPICA DE LEIRIA

No que toca a gastronomia, ir a Leiria e não provar as Brisas do Lis é como ir a Roma e não ver o Papa. Este doce típico local, confecionado com ovos, açúcar e amêndoas, e com a textura de um pudim, é originário do convento lisboeta de Santa Ana, que pertencia à Ordem das Dominicanas. Não se sabe ao certo se é a mesma receita, ou como chegou a Leiria, mas o que é certo é que, desde os anos 30, as Brisas do Lis são um ex libris da cidade.

Outro petisco típico de Leiria, mais precisamente da aldeia de Marrazes, ali perto, é a morcela de arroz, criada pelos judeus convertidos à força ao catolicismo no século XV. Esta morcela, em tudo semelhante à de carne, permitia aos judeus disfarçar que mantinham as suas tradições e que, em segredo, continuavam a evitar a carne de porco.

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A TERRA SANTA DA PENÍNSULA IBÉRICA

Sobranceiro à cidade de Leiria, o bonito castelo que vemos a cerca de uma centena de metros de altitude teve a sua origem em 1135, com D. Afonso Henriques, ainda antes de se tornar o primeiro rei de Portugal.

Sediado em Coimbra, o futuro monarca tinha como objetivo manter aqui uma guarnição que defendesse estas terras contra os ataques dos mouros a partir da vizinha Shantarin (Santarém). Com um bastião defensivo em Leiria, naturalmente que à volta do castelo se foram fixando mais pessoas, e a povoação foi crescendo.

No entanto, nos anos seguintes, o castelo de Leiria sofreu vários ataques violentos dos árabes, a tal ponto que D. Afonso Henriques determinou que quem pedisse licença para ir combater na Terra Santa apenas poderia fazê-lo aqui em Leiria, ou nos castelos desta região. Em troca, caso morressem nos combates, teriam tantas indulgências e bênçãos do céu como se tivessem, de facto, ido defender o Santo Sepulcro em Jerusalém. Por ser uma terra de fronteira, disputada por mouros e cristãos, Leiria foi, portanto, equiparada à Terra Santa.

Com efeito, ao longo dos séculos, o castelo de Leiria sofreu transformações. A sua torre de menagem data de 1325, sendo uma iniciativa de D. Dinis, o rei que aqui passou mais tempo.

Contudo, no século XV, o castelo sofreu novas intervenções. Mais tarde, com as invasões francesas do século XIX, foi bastante danificado. Em consequência disso, acabou por ficar ao abandono. Foi recuperado já no século XX por iniciativa da Liga dos Amigos do Castelo, com um projeto do arquiteto Ernesto Korrodi.

Hoje, como se pode ver, o Paço Real de Leiria é esplendoroso, com uma arcada sobre a cidade. No entanto, foi encerrado para obras de requalificação até abril de 2021.

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LEIRIA, O BERÇO DA DEMOCRACIA PORTUGUESA

Leiria detém o emblemático estatuto de ter sido a cidade onde, pela primeira vez, o povo teve lugar, e voz, nas cortes que os reis costumavam convocar. Nestes encontros, participavam habitualmente o clero e a nobreza mas, em 1254, o rei D. Afonso III convocou as cortes em Leiria e decidiu incluir igualmente representantes da classe popular.

Embora sem certezas, pensa-se que o encontro terá decorrido na igreja de São Pedro, que ainda hoje existe, junto ao castelo de Leiria.

A iniciativa foi importante, sem dúvida, mas essa participação terá sido motivada por questões materiais: o rei precisava de fazer uma desvalorização da moeda e, como a medida prejudicava sobretudo os mercadores, pertencentes ao povo, estes preferiam adiantar ao rei o dinheiro necessário, e assim evitar que a moeda fosse desvalorizada. Nas cortes de Leiria, este assunto estava na ordem de trabalhos, e por isso era necessária a presença dos representantes populares.

Ainda assim, as cortes de Leiria representaram o derrubar de uma barreira social e política, e a sua importância, até hoje reconhecida, mereceu mesmo uma celebração, na efeméride dos seus 700 anos. Com efeito, em 1954, no âmbito de comemorações nacionais, reuniram-se em Leiria os presidentes de todas as autarquias nacionais, numa cerimónia presidida pelo Presidente da República de então, o General Craveiro Lopes.

O REI TROVADOR QUE TRANSFORMOU PORTUGAL

Muito associado a Leiria, o reinado de D. Dinis foi um dos mais longos de Portugal.

Conhecido como «o Lavrador», este monarca ocupou o trono durante 46 anos. Entre 1279 e 1325. Deste modo, boa parte do tempo foi passado aqui, em Leiria, onde o rei tinha um Paço. Contudo, o edifício já não é o que hoje observa a cidade. Ao longo dos séculos, o paço original foi bastante alterado.   

Amante das artes e das letras, D. Dinis foi também poeta. Com efeito, o sexto rei de Portugal compôs mais de uma centena de cantigas de amor, de amigo e também de escárnio e maldizer. Algumas delas, inclusive, com anotações musicais. Por isso, o segundo cognome pelo qual D. Dinis ficou conhecido foi «O Trovador».

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Retrato a óleo do rei D. Dinis (1261.1325)

Rei D. Dinis (1261.1325)

No entanto, a importância de D. Dinis vai muito além das artes e letras, dinamizando importantes reformas e medidas. Com efeito, foi apelidado «o lavrador» por ter dado grande impulso à agricultura, distribuindo terras em casais, para que fossem cultivadas. A par disso, foi ainda responsável pela expansão do pinhal de Leiria, tornando o pinheiro bravo a cultura principal.

Promulgou ainda um importante conjunto de leis, que inclusive protegiam os mais desfavorecidos, fundou feiras francas e aqui mesmo, em Leiria, assinou a criação da primeira universidade portuguesa. Mandou substituir o latim pelo português nos documentos oficiais, e protegeu os cavaleiros Templários quando estes foram perseguidos pelo rei de França e extintos por ordem do Papa, transformando a Ordem dos Templários na portuguesa Ordem de Cristo.

Não menos importante, foi também no seu reinado que se formalizaram as fronteiras de Portugal, as mais antigas da Europa, através do tratado de Alcanises, em 1297. Após este tratado de paz, a fronteira terrestre entre Portugal e Espanha mantem-se, até hoje, à exceção da perda de Olivença para Espanha, em 1801.

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O HABITANTE MAIS ANTIGO DE LEIRIA: O MENINO DO LAPEDO

O mais antigo habitante de Leiria que se conhece é o Menino do Lapedo, um vale na freguesia de Santa Eufémia, em Leiria. Viveu há cerca de 25 mil anos, muito antes de o homem se tornar sedentário e começar a cultivar os seus próprios alimentos.

O esqueleto desta criança, que morreu com apenas 4 anos, foi encontrado em dezembro de 1998. Aos seus pés, encontraram-se também ossos de animais, e em redor acharam-se ainda ornamentos feitos a partir de dentes de veado e, junto do pescoço, uma concha de um bivalve marinho.

O Menino de Lapedo é um achado arqueológico importante, na medida em que é a primeira sepultura conhecida, em toda a Península Ibérica, de alguém que tenha vivido no Paleolítico Superior. Mais do que isso, representa a transição entre a espécie Neanderthal e a nossa, Homo Sapiens, e por isso este achado deu a Leiria projeção internacional junto da comunidade paleoarqueológica.

Esta criança, estudada com minúcia com os instrumentos de que atuamente dispomos, era saudável até à altura da sua morte, e foi enterrada num pequeno buraco escavado para o efeito. Estava embrulhada numa mortalha tingida de ocre avermelhado e, possivelmente como parte do ritual fúnebre, sabe-se que foi queimado um ramo de pinheiro-silvestre. A sua posição terá sido cuidadosamente disposta, deitada sobre o lado esquerdo, com os pés juntos e a mão direita sobre a anca.

Pode conhecer uma réplica do esqueleto do Menino do Lapedo, assim como a sua reconstituição facial e o seu contexto no Centro de Interpretação do Abrigo do Lagar Velho, na Carrasqueira, freguesia de Santa Eufémia, nos arredores da cidade de Leiria. Não está aberto todos os dias, por isso, antes de visitar, o melhor é contactar o email museudeleiria@cm-leiria.pt.

 

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