Portel

PORTA DE ENTRADA NA ALBUFEIRA DO ALQUEVA

Na sua essência, Portel é um concelho do Alentejo rural, ainda muito ligado à agricultura. Com a construção da imensa Barragem do Alqueva, ganhou nova vida. Contudo, soube preservar a sua história, ligada às guerras fronteiriças, e mantém as suas tradições. Entre elas, o culto do Santo Lenho de Vera Cruz que, segundo consta, terá pertencido à própria cruz onde Cristo foi crucificado.   

PORTEL, A CAPITAL DO MONTADO

Mais do que uma bonita vila, em que se destaca o imponente castelo, Portel é um vasto concelho do distrito de Évora, no Alentejo. Efetivamente, abarca 6 freguesias, entre elas o Alqueva, que deu nome à famosa barragem. Afinal, a Barragem do Alqueva criou o maior lago artificial da Europa.

Mais do que isso, transformou a paisagem, e o modo de vida, desta região no interior alentejano. Na prática, o acesso facilitado à água e ao regadio vieram reforçar a ligação deste concelho à agricultura.

Desde há muito, a paisagem rural é, sobretudo, de sobro e azinho. Por essa razão, Portel assume-se como a Capital do Montado e, todos os anos, realiza a Feira do Montado, em dezembro. De facto, Portel é sinónimo de cortiça, tradição, pecuária e, claro, boa comida.

Contudo, Portel também dá nome a uma serra, com cerca de 500 metros e altitude. Sem dúvida, ideal para caminhadas, mas também para a produção de mel. A par disso, há ainda um percurso imperdível, de 17 km, que pode fazer junto à barragem. Chama-se «Amieira a Alqueva, com o lago a seus pés», e pode encontrar o mapa aqui. <<

D. JOÃO DE PORTEL, O NOBRE QUE VEIO DE FRANÇA

Originalmente, Portel começou a ganhar relevância no século XIII. Mais precisamente, quando estas terras foram atribuídas a D. João Peres de Aboim, em 1261, com a permissão de aí construir um castelo. De acordo com os registos arqueológicos, a tarefa foi entregue a frei Afonso Pires Farinha, da Ordem de São João de Jerusalém

Natural do Minho, D. João Peres de Aboim era um nobre minhoto, e teve um percurso bastante interessante. Sendo filho de Pero Ourigues da Nóbrega, que era camareiro do jovem infante Afonso, em 1230 acompanhou o pai e o futuro rei (Afonso III) para terras de França. Por essa razão, viveu na corte francesa durante cerca de quinze anos. Em 1245, acompanhou o infante no regresso ao reino, e alinhou a seu lado, nas contendas que o levariam ao trono.

Em consequência, foi sempre uma das mais altas figuras no reinado de Afonso III, o Bolonhês. A par disso, foi trovador e criou uma série de cantigas.

Deste modo, o senhorio de Portel foi uma das regiões que o monarca lhe concedeu, e que juntou ao seu vasto património, espalhado um pouco por todo o país.

Entretanto, casara com Marinha Afonso de Arganil, e acabou por falecer em 1285, escolhendo para sepultura a igreja-mosteiro de Vera Cruz de Marmelar. Conhece? Apostamos que não.

pub

DA PALESTINA PARA PORTUGAL: O SANTO LENHO DA CRUZ DE CRISTO

Contudo, não é apenas o sepulcro de um grande senhor medieval que repousa no mosteiro de Vera Cruz, em Portel. Nesta modesta igreja, que a maioria dos portugueses desconhece, está guardado o Santo Lenho. Ou seja, um fragmento da cruz em que Cristo foi crucificado.

De importância única, esta relíquia terá vindo da Palestina, após a 7ª Cruzada, em 1278. Possivelmente, trazida por um cavaleiro da Ordem do Hospital, Frei Afonso Pires Farinha. Homem viajado, combatente religioso, era desta região e aqui fundou o Mosteiro Hospitalário de Vera Cruz de Marmelar. Justamente, por indicação do senhor da terra, D. João Peres de Aboim.

Deste modo, o «D. João de Portel», como ficou conhecido, não só mandou construir o mosteiro, como escolheu para última morada o mais importante polo religioso daquela época.

Efetivamente, o antigo Mosteiro de Vera Cruz de Marmelar foi uma das comendas da Ordem dos Hospitalários. Mais tarde, esta viria a designar-se Ordem de Malta. Contudo, assenta num edifício mais antigo, que incorporou na sua construção. Ainda hoje, conseguimos identificar essa estrutura visigótica, do século VII, que lhe serviu de base. Do antigo mosteiro, resta a igreja, consagrada a São Pedro, e algumas ruínas adjacentes.

Santo Lenho de Vera Cruz de MarmelarUMA RELÍQUIA ÚNICA (MAS PRATICAMENTE DESCONHECIDA)

De facto, o nome Vera Cruz deriva do Santo Lenho, uma relíquia que, à época, tinha uma importância única em Portugal. Originalmente, destinava-se a Évora, mas uma parte acabou por ficar aqui, no Mosteiro Hospitalário de Vera Cruz de Marmelar.

Assim sendo, os pedaços da cruz continuam guardados na igreja, incrustados num relicário de prata. A par disso, outra parte do lenho acabou por seguir para a Sé de Évora, sendo um dos seus mais preciosos tesouros.

Infelizmente, com o tempo, o Santo Lenho de Vera Cruz de Marmelar foi caindo no esquecimento. Um objeto de culto que chegou a ser requisitado pelo rei D. Afonso IV, como talismã na Batalha do Salado (Tarifa). Como sabemos, foi a batalha em que os reis de Portugal e Castela expulsaram, de vez, os muçulmanos da Península Ibérica.

Porém, o Santo Lenho mantém a sua importância para as gentes da terra e arredores. Com efeito, todos os anos ainda celebram a Procissão em Honra do Santo Lenho, sempre a 14 de Setembro. A par disso, não faltam preciosidades nesta igreja, além de histórias de milagres e exorcismos,

Apesar da sua importância histórica, a autarquia considera que a história de Vera Cruz tem sido pouco valorizada. Afinal, quantos de nós a conhecem, ou já a visitaram? Por essa razão, a autarquia promoveu este trabalho de investigação, com base académica, que aprofunda a rica história desta freguesia, que bem merece ser contada.

PRECISA DE ALOJAMENTO?

Booking.com

FAÇA AS SUAS RESERVAS

PASSAGEM AÉREA

ALOJAMENTO

Booking.com

AUTOMÓVEL

Booking.com

A NÃO PERDER, EM PORTEL

Desde logo, é o castelo de Portel que salta à vista, como visita obrigatória. De forma imponente, ergue-se no topo da colina mais alta e, inevitavelmente, é para lá que o visitante se dirige. Com efeito, este é um castelo que não desilude. Sobretudo, nota-se o cuidado na sua conservação exterior.

Porém, dentro das muralhas, , há ainda muito para fazer e explicar. Vemos diferentes estruturas, torres e cisternas, mas a interpretação é escassa, ou inexistente. Nada de novo, portanto, é um flagelo nacional.

Contudo, Portel tem muito mais para ver. Não apenas na vila, mas também nos arredores. Com efeito são inúmeras as igrejas e capelas, de diferentes épocas e estilos. Se circular pela vila, vai com certeza cruzar-se com elas.

Já agora, nestas ruelas caiadas de branco plácido, também existem restaurantes de se lhes tirar o chapéu. Entre eles, o São Pedro, e a requintada Cozinha d’Aboim. (Se leu o conteúdo mais atrás, percebe o porquê do nome).

Por fim, mas não menos importante, com certeza vai reparar num edifício de grandes proporções, no meio do casario. Pois bem, é o Convento de São Francisco dos Capuchos da Piedade. Fundado pelo Duque de Bragança, no século XVI, esteve devoluto até se transformar num hotel, com abertura em final de 2023.

Depois da refeição se quiser conhecer os arredores, faça-se à estrada, porque vale bem a pena. Por esta altura, já leu que Vera Cruz, e o seu mosteiro, vêm no topo da lista. A par disso, marque também no roteiro o Sítio dos Mosteiros, em São Bartolomeu do Outeiro, onde encontrará o que resta de uma antiga villa romana.

Por outro lado, Portel é pródiga em encantadoras ermidas. Entre elas, a Ermida de São Brás de Portel, e a Ermida de São Pedro, no topo de um penhasco. Do mesmo modo, não deixe também de espreitar a Ermida de São Lourenço, no topo de um afloramento rochoso.

anner-beruby-728x90-pt-PT
pub