Alcácer do Sal

UMA CIDADE HISTÓRICA À BEIRA DO RIO SADO

Após longas e sangrentas batalhas, em 1217, o rei D. Afonso II conseguiu finalmente conquistar Alcácer do Sal aos muçulmanos. Afinal, este era um ponto estratégico, junto ao rio Sado, que liga o interior do território ao litoral. Hoje, Alcácer é uma povoação pacata, carregada de história e embalada pelas águas plácidas do rio. 

MAIS DO QUE UM PONTO DE PASSAGEM RUMO AO SUL

Para muitas pessoas, Alcácer do Sal é apenas um ponto de passagem no caminho para o Algarve ou para a costa alentejana. Com efeito, muitas vezes passamos ao lado desta bonita cidade, sem parar, atravessando um viaduto sobre o rio Sado. No entanto, vale a pena refrear a pressa de chegar ao destino, e reservar tempo para uma paragem nesta bonita cidade.

Em regra, dirigimo-nos ao centro de Alcácer, e escolhemos uma das esplanadas para beber um café. Ali perto, está o posto de Turismo, que partilha com os visitantes os encantos da região.

Cá de baixo, talvez não seja fácil ver o castelo, que domina a paisagem, no ponto mais alto. Para lá chegar, há que subir a pé, ou de carro, como preferir. Além das muralhas, o recinto do castelo de Alcácer alberga uma luxuosa Pousada de Portugal. A par disso, a sua cripta é um museu arqueológico, aberto ao público.

Na zona ribeirinha, apetece passear junto ao rio, e explorar o casario da zona histórica, Não faltam restaurantes e comércio tradicional, onde a vertente turística ainda não chegou. Vale ainda a pena visitar o Museu Pedro Nunes, instalado numa antiga igreja. Nos arredores, encontra o Santuário do Senhor dos Mártires, e bonitos percursos pedestres marcados, dentro e fora da cidade.

UMA COLINA MUITO CONCORRIDA

Desde sempre, a colina onde se encontra o castelo de Alcácer do Sal foi ocupada pelos povos que por aqui passaram. Ou seja, desde a idade do Ferro, passando por fenícios, cartagineses, romanos e árabes, que aqui se instalaram no século VIII.

Deste modo, os romanos chamaram a esta povoação Salacia Urbs Imperatoria. Nessa época, a partir daqui se exportava o vinho, o trigo e o azeite, que eram produzidos no interior. Através do rio Sado, seguiam para outras zonas do Império.

Mais tarde, durante a ocupação árabe, fico conhecida como Al-Kasser, que significa «castelo», e daí derivou o seu nome atual. A par disso, como nesta região se produzia sal, hoje conhecemos esta cidade histórica por Alcácer do Sal. Desde sempre, para árabes e cristãos, esta povoação era estratégica para defesa ou conquista dos territórios mais a sul. Nomeadamente, Lisboa.

Com efeito, em 1158, o primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, conseguiu conquistar Alcácer do Sal aos árabes. Contudo, poucos anos depois, viria a ser recuperada para os mouros por Al Mansur. Em consequência, dada a sua importância estratégica, os árabes reforçaram as defesas da povoação.

Assim sendo, construíram em redor uma muralha dupla, com três dezenas de torres. Por essa razão, esta era uma das grandes fortalezas da Península Ibérica. Curiosamente, a muralha foi construída em taipa. Algo invulgar, que apenas tem paralelo no castelo de Paderne, no Algarve.

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ALCÁCER PASSA A SER CRISTÃ

Ainda assim, em 1217, D. Afonso II conseguiu recuperar a cidade, com a ajuda dos Cruzados. Desta vez, uma conquista definitiva.

Nessa altura, Alcácer foi entregue à importante Ordem Militar de Santiago de Espada, que aqui instalou a sua sede. Ou seja, uma ordem guerreira, que tinha a missão de defender este território. Esta Ordem Militar nasceu de 1170, em Cáceres (Espanha).

Com efeito, resultou da iniciativa do Rei D. Fernando II de Leão, que era marido da Infanta D. Urraca de Portugal. Ou seja, filha de Afonso Henriques e D. Mafalda de Sabóia, os primeiros reis de Portugal.

A sua introdução em Portugal foi em 1172, para ajudar Afonso Henriques na reconquista do território aos árabes. Mais do que isso, foi determinante na expulsão dos mulçumanos do Algarve.

Inicialmente, teve sede no Mosteiro de Santos-o-Velho, em Lisboa. Depois, passou para Alcácer-do-Sal e, por fim, Mértola.

Ainda hoje, o Presidente da República de Portugal distingue figuras ilustres com a Ordem Militar de Sant’Iago da Espada. Em particular, serve para distinguir o mérito literário, científico e também artístico.

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A NÃO PERDER EM ALCÁCER DO SAL

PASSEIO RIBEIRINHO

É na zona ribeirinha de Alcácer do Sal que se concentram os serviços públicos, o comércio e o posto de Turismo. Um longo passeio acompanha o rio, e duas pontes permitem a passagem para o outro lado.

MURALHA DO CASTELO DE ALCÁCER DO SAL

No ponto mais alto de Alcácer do Sal, parte da muralha do castelo ainda se mantêm erguida, com vários torreões. Lá de cima, temos uma vista esplêndida sobre a cidade e o rio Sado.

IGREJA DE SANTA MARIA DO CASTELO

A partir de um local de culto islâmico, os cavaleiros da Ordem de Santiago construíram este templo cristão nos séculos XII-XIII. Na parede lateral, mantêm-se a porta original, virada para Meca.

POUSADA CASTELO D. AFONSO II

O antigo castelo é hoje uma luxuosa Pousada de Portugal. Originalmente árabe, do século VI a. C., esta fortificação foi conquistada pelo rei Afonso II em 1217. Tornou-se a sede da Ordem de Santiago e mais tarde convento de Clarissas.

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CRIPTA ARQUEOLÓGICA DO CASTELO DE ALCÁCER

A par da Pousada, o castelo de Alcácer do Sal integra uma cripta arqueológica que dá testemunho do longo passado desta povoação. Do neolítico até à modernidade. Sem dúvida, merece uma visita.

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SANTUÁRIO DO SENHOR DOS MÁRTIRES

Situado num ponto alto mas algo discreto, este é um dos templos cristãos mais antigos do país. Esta igreja mantém parte da sua estrutura original, conjugada com uma adaptação arquitetónica mais recente.

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1500 KM2 DE TERRITÓIRIO FÉRTIL, DESDE O TORRÃO À COMPORTA 

Com efeito, nos cerca de 1500 km2 de território, Alcácer do Sal abrange uma grande diversidade de paisagens. De modo geral, é um concelho plano, mas variado. Assim, encontramos as planuras interiores do Torrão, os arrozais que acompanham o rio Sado, mas também a costa e o mar, na Comporta. Além do Sado, são vários os cursos de água que atravessam Alcácer. Entre outros, é o caso do rio Xarrama, mas também do Sobrena, e anda das ribeiras de Areão e Algalé. A par disso, o concelho de Alcácer conta com duas barragens: Vale de Gaio e Pego do Altar.

Como não podia deixar de ser, o concelho valoriza ainda os seus recursos naturais, na Reserva Natural do Estuário do Sado. No seu conjunto, engloba uma extensa zona húmida, que integra rio, lodo e sapais.

Pedro NunesGraças aos seus recursos naturais e localização, desde sempre que Alcácer é uma terra fértil. Inclusivamente, em figuras ilustres. Nomeadamente, é o caso do matemático Pedro Nunes (1502-1578), que inventou o nónio. Ou seja, uma engenhosa escala de medição que podia ser aplicada a um instrumento de metal.

Deste modo, abriu caminho para que se navegasse com maior precisão em alto mar. Trabalhou sobretudo em ciências náuticas, mas também em geometria, astronomia e álgebra, e o seu trabalho teve projeção internacional, durante muitas gerações.

Além de Pedro Nunes, outra figura ilustre da nossa história teve a sua origem no concelho de Alcácer do Sal. Mais precisamente, na freguesia do Torrão: Bernardim Ribeiro.

Embora se mantenham muitas incertezas sobre este poeta e escritor do século XVI, atribuem-se a Bernardim Ribeiro contributos no Cancioneiro Geral e também a novela «Menina e Moça».

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