Cascais e Estoril

A ARISTOCRATA COSTA DO SOL

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Em Portugal, Cascais e Estoril são sinónimo de praia e turismo, mas também de um certo elitismo.

Com efeito, Cascais começou por ser uma aldeia piscatória.

Naturalmente, tinha uma localização privilegiada, junto à entrada do rio Tejo, e da cidade de Lisboa. No entanto, diferentes circunstâncias tornaram este concelho o mais elitista do país.

Por seu lado, o Estoril foi planeado para ser a Biarritz portuguesa. E, de facto, assim foi. Mais do que isso, acolheu boa parte da realeza foragida da Europa, durante a segunda guerra mundial.

De igual forma, acolheu inúmeras personalidades, magnatas e espiões.

Curiosamente, foi durante a sua estadia no Estoril que Ian Fleming se inspirou para criar o famoso agente Bond. James Bond. 

DE ALDEIA PISCATÓRIA A VILA ARISTOCRATA

Sem dúvida, a vila de Cascais é uma das mais ilustres de Portugal. Começou por ser uma pequena aldeia de pescadores, junto à baía que liga o rio Tejo ao mar. Os romanos chamavam-lhe Cascales, daí os seus habitantes seres conhecidos como Cascalenses.

A partir das cruzadas, passou a ser muito frequentada pelos navios que queriam evitar a navegação no Tejo, por vezes arriscada. Deste modo, torna-se uma estação marítima por excelência, e um ponto estratégico de defesa de Lisboa. Por isso, no século XV, o rei D. João II mandou erguer aqui um forte de defesa.

Apesar de ter sido arrasada pelo terramoto de 1755, Cascais reergueu-se e, a partir do final do século XIX, começou a assumir a faceta elitista que ainda hoje lhe conhecemos.

Por volta de 1870, o próprio rei D. Luís passou a frequentar Cascais, para ir a banhos no tempo mais quente. Não tendo alojamento próprio, a família real alojava-se na Casa do Governador, atual Palácio da Cidadela.

Em consequência, Cascais passou a ser uma estância de luxo, já que, atrás da realeza veio a aristocracia. Em consequência, surgiram inúmeros – e imponentes – palacetes junto ao mar, entre Cascais e o Estoril.

Ainda hoje existem, muitas delas já transformadas em habitações coletivas ou sítios empresariais. No entanto, outras continuam a ser luxuosas residências familiares.

PRAIAS E SURF ÀS PORTAS DE LISBOA

A par da afluência das elites, o crescimento de Cascais foi exponenciado pela chegada do comboio, em 1889. Na altura, a Linha de Cascais fazia a ligação com Pedrouços, às portas de Lisboa. Deste modo, o acesso facilitado atraiu ainda mais pessoas para esta bonita zona costeira. Assim, a par dos palacetes, surgem novos hotéis e habitações, muitas delas junto à longa linha de praia.

Hoje, a Linha (férrea) de Cascais percorre toda a costa, até ao centro de Lisboa. No verão, leva e traz veraneantes que vêm desfrutar das bonitas praias. Em regra, são praias intercaladas por rochas que, com a maré alta, reduzem consideravelmente o areal. No entanto, existe uma exceção. Com efeito, a praia de Carcavelos é a que oferece o mais extenso areal. Famosa pelas suas ondas, durante todo o ano é frequentada por amantes das ondas e por escolas de Surf.

Entre as praias da Linha de Cascais, contam-se as praias da Parede, das Azenhas, da Azarujinha, e da Poça. Outra praia famosa é a do Tamariz, com o seu ambiente de festa nos bares junto ao mar. Seguem-se ainda a praia do Monte Estoril e, claro, a pequena enseada de Cascais.

Ao longo de toda esta costa, existe o chamado paredão. Local privilegiado de passeio e de acesso às praias, conta com uma fileira de esplanadas e restaurantes onde pode almoçar ou beber um copo.

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O BERÇO DO FUTEBOL PORTUGUÊS

Em 1888, Cascais foi palco de um evento emblemático em Portugal: a realização da primeira exibição pública de um jogo de futebol.

Como sabemos, o futebol é considerado o desporto-rei no nosso país, e as equipas portuguesas estão entre as melhores do mundo. Além de arrastar multidões, o futebol português já projetou para o mundo alguns dos melhores jogadores do mundo. É o caso de Eusébio, Luís Figo ou Cristiano Ronaldo.

Com efeito, foi em Cascais que tudo começou.

Mais precisamente num domingo à tarde, em outubro de 1888, por iniciativa de dois cascalenses, Eduardo e Frederico Pinto Basto. Num domingo de outubro,  organizaram um «ensaio» na Parada de Cascais, com uma bola de couro. Como seria de esperar, o evento foi um sucesso.

Mais do que isso, como sabemos, a modalidade rapidamente ganhou asas e tomou conta do país. Hoje em dia, o futebol é considerado o Desporto-Rei em Potugal.

O PLANO PARA A BIARRITZ PORTUGUESA

Com o assassinato do rei D. Carlos e do príncipe herdeiro D Luís, em 1908, a família real deixa de frequentar Cascais. A monarquia dá lugar à república, e a Riviera portuguesa entra um pouco em declínio.

No entanto, viria novamente a resplandecer a partir de 1914, graças a um homem chamado Fausto Cardoso de Figueiredo.

Embora tenha nascido numa família pobre de Celorico da Beira, veio para Lisboa e conseguiu estudar Farmácia.

Envolveu-se na política, foi nomeado administrador da Companhia dos Caminhos de Ferro. Nessa qualidade, passou a viajar muito pela Europa. Deste modo, como a esposa tinha problemas de saúde, o casal visita Biarritz com frequência.

Em consequência, inspirado por aquela estância de luxo, Fausto Figueiredo apresenta à Câmara dos Deputados um plano para criar a Biarritz Portuguesa. Aproveitando o potencial de uma antiga quinta que se estendia até ao mar, nasce o Estoril que conhecemos hoje.

ESPLENDOR JUNTO AO MAR

Como sabemos, 1914 é o ano em que começa a 1ª Guerra Mundial. Contudo, apesar das dificuldades, o plano é posto em marcha, e nasce a Costa do Sol, como lhe chamou o fundador. O primeiro destino turístico português. Muito antes do Algarve, ou da Costa Alentejana.

Em 1930, é inaugurado o emblemático Hotel Palácio (que viria a ser o berço de James Bond!).

Em 1926, a linha férrea é eletrificada, e as praias passam a ser conhecidas como Praias da Linha. Pouco depois, em 1931, o Casino Estoril abre as suas portas, reforçando a imagem da cidade como destino de elites.

Hoje em dia, serão poucos os habitantes do Estoril que conhecem esta história. De facto, desconhecem sequer que existiu um grande promotor desta localidade costeira. Mais do que isso, um pioneiro do turismo português.

Ainda assim, Fausto Cardoso de Figueiredo continua a marcar presença no Estoril. Desde logo, imortalizado numa estátua de Leopoldo de Almeida, nos jardins do Casino.

Por outro lado, embora menos visível, o Estoril continua a desempenhar a missão que o seu fundador idealizou. Ou seja, continua a ser um destino de residência e de férias para as elites. A par disso, é também um destino que acolhe bem qualquer visitante.

SEGUNDA GUERRA MUNDIAL: EXÍLIO DE ARISTOCRATAS E ESPIÕES 

Durante a Segunda Guerra Mundial, Portugal conseguiu manter-se como país neutro.

Na verdade, mais do que isso, tornou-se um pequeno oásis de paz, numa Europa ocupada e bombardeada.

Por essa razão, tornou-se um destino popular para os refugiados. Em particular, para as famílias reais e aristocratas que aqui encontravam refúgio da guerra e da ditadura.

Como referiu o Professor José Hermano Saraiva, por toda a Europa «desabam os tronos, acabam impérios», e «na Europa, há só um palmo de terra que vive em paz». Portugal.

Deste modo, a Riviera Portuguesa – Cascais e o Estoril – é um refúgio de eleição para as elites europeias.

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FIGURAS ILUSTRES EM CASCAIS E ESTORIL

Assim, nos anos 40, a família real espanhola passou a ser presença habitual na praia do Tamariz. O mesmo aconteceu com a família real italiana, os condes de Paris, o rei da Roménia ou os arquiduques da Áustria.

A par disso, também os Duques de Windsor aqui passaram temporadas. De igual modo, Cascais acolheu a família do Barão de Rothschild, na altura o homem mais rico do mundo. Com efeito, vários membros da família receberam vistos autorizados por Aristides de Sousa Mendes.

Como é sabido, o famoso cônsul português em Bordéus contrariou as ordens de Salazar, para salvar refugiados. Por essa razão, é admirado em todo o mundo. Mais do que isso, milhares de judeus e seus descendentes devem-lhes a vida. Efetivamente, Aristides de Sousa Mendes é considerado pela comunidade judaica um Justo entre as Nações.

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ESTORIL, O BERÇO DE JAMES BOND

Durante os anos 30 e 40, o Estoril acolheu um vasto conjunto de personalidades, além da realeza. Por exemplo, é o caso de Calouste Gulbenkian, Salvador Dalí ou Marc Chagall. Ou ainda de Hemingway e Orson Welles.

Na verdade, Lisboa e os seus arredores elitistas – Estoril, Cascais e Sintra – tornaram-se um ponto de encontro internacional. Com efeito, nessa altura beneficiava de um ambiente único. Por um lado, era um ambiente de paz, dada a neutralidade  de Portugal na guerra. Por outro lado, era desde há muito um destino de elites. Assim, a par das elites e da realeza, aqui se cruzavam espiões, artistas e ricos homens de negócios. Naquela altura, o ambiente era intenso, e envolto numa certa aura de mistério.

Neste contexto, o Hotel Palácio, no Estoril, era um palco privilegiado. Afinal, alojava boa parte destas personalidades. Entre elas, conta-se Ian Fleming. Com efeito, em 1941, integrava os serviços navais britânicos. Nessa qualidade, esteve em Portugal e hospedou-se neste hotel, mesmo ao lado do Casino.

O AGENTE SECRETO MAIS FAMOSO DO MUNDO

Cartaz 007Segundo reza a história, foi ali que conheceu um agente duplo de origem sérvia, Dusan Popov. Por algum motivo, este espião inspirou-o a criar o agente secreto que todos conhecemos. James Bond. Precisamente, o primeiro livro desta série chama-se «Casino Royal».

Contudo, dado que os filmes não seguiram a ordem dos livros, em 1968 decorre a rodagem do sexto livro de Ian Fleming, «Ao Serviço de Sua Majestade».

Assim sendo, dada a ligação ao local, parte das filmagens tem com cenário, precisamente, o Hotel Palácio do Estoril. Inclusivamente, o próprio porteiro, José Diogo, entrou no filme, entregando a chave do carro a 007.

Efetivamente, o filme teve como protagonistas George Lazenby e Diana Rigg. Na altura, a equipa de filmagens ficou alojada no hotel, mas o Estoril não foi o único cenário. No filme, aparecem ainda cenas rodadas em Sintra, no Guincho e na Serra da Arrábida.

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