Belmonte

TERRA DE JUDEUS E DO NAVEGADOR QUE DESCOBRIU O BRASIL

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Belmonte é visita obrigatória na Cova da Beira. Sem dúvida, vale a pena ir com tempo e pernoitar, porque há muito para ver.

Mais do que isso, para aprender sobre a História de Portugal. Por outro lado, Belmonte tem uma vista privilegiada para a Serra da Estrela. A mais alta de Portugal.

Há quase dois mil anos, Belmonte foi habitada pelos romanos.

Com efeito, situava-se junto a uma importante via que ligava Mérida a Braga. Por isso, este passado é bem visível na Quinta Romana da Fórnea. Mesmo ao lado da vila.

A par disso, foi também fortaleza de defesa da fronteira, e lar da família de Pedro Álvares Cabral. O descobridor do Brasil. 

A somar a tudo isto, Belmonte acolheu uma comunidade judaica de características únicas. Por essa razão, hoje atrai judeus de todo o mundo.

A vila de Belmonte tem uma longa e rica história. Ao percorrer as ruas, o visitante encontra as impressionantes marcas desse passado. Foi habitada pelos romanos, integrou até final do século XIII a linha defensiva do Alto Côa, juntamente com os castelos de Sortelha e da Vila do Touro e acolhe desde há séculos uma comunidade judaica peculiar. A par disso, foi ainda berço do navegador português que descobriu o Brasil em 1500, Pedro Álvares Cabral.

A TERRA NATAL DE PEDRO ÁLVARES CABRAL

Uma boa ideia é começar a visita a Belmonte pelo castelo, onde se situa o posto de Turismo. Aproveite para recolher informação, subir à muralha e apreciar a vista que se estende em redor. Ficará com uma noção de todo o espaço da vila, e daquilo que poderá percorrer e visitar. Repare que as paredes que o cercam a si hoje albergaram outrora a família Cabral, e terão sido berço do descobridor do Brasil, Pedro Álvares Cabral.

O astelo de Belmonte foi construído por uma ordem do rei D. Afonso III, em 1266, ao bispo D. Egas Fafes. Integrou uma linha defensiva contra os ataques castelhanos e tem um traçado oval com duas portas e torre de Menagem.

Mais tarde, em 1446, D. Afonso V cedeu-o a Fernão Cabral, o primeiro alcaide-mor de Belmonte e pai de Pedro Álvares Cabral.

Segundo se sabe, foi no castelo de Belmonte que Pedro Álvares Cabral nasceu e viveu os primeiros anos de vida. O espaço foi transformado pela família Cabral numa residência senhorial fortificada. Ainda hoje, destaca-se uma bonita janela em estilo manuelino. Contudo, o deixou de ser habitado no século XVII, quando um incêndio o destruiu parcialmente.

À DESCOBERTA DE BELMONTE

No século XVIII, o castelo de Belmonte terá recuperado alguma função defensiva, nas guerras da Restauração, e terá sido nessa altura que foram construídos os baluartes e o edifício anexo exterior.

O castelo de Belmonte foi declarado Monumento Nacional em 1927. Hoje em dia, está aberto ao público, com entrada livre, inclui um anfiteatro para eventos culturais e alberga um posto de turismo onde pode pedir informação. Na antiga Torre de Menagem, existe uma exposição permanente que reúne achados arqueológicos, inclusive romanos, encontrados no local. 

No centro da vila, precisamente na Rua Pedro Álvares Cabral, encontra uma estátua do navegador, a lembrar que foi aqui que nasceu. É da autoria do escultor modernista português Álvaro de Brée, e foi inaugurada em 1963 pelo Presidente do Brasil da altura, Juscelino Kubitschek de Oliveira.

As marcas da família Cabral perduram ainda no antigo Solar dos Cabrais, onde residiram, e que atualmente alberga a Biblioteca e Arquivo Municipal. No seu antigo logradouro, está hoje instalado o Museu dos Descobrimentos. É um convite a conhecer a epopeia dos portugueses nos séculos XV e XVI, quando deram novos mundos ao mundo.

AO ENCONTRO DAS RAÍZES JUDAICAS

Seja qual for o percurso escolhido, é obrigatório percorrer as ruas estreitas e floridas da antiga judiaria, no centro histórico de Belmonte.

A maior parte das casas tradicionais judaicas tem duas portas, a da residência e a da loja ou oficina, mais larga. Se reparar com atenção nas paredes exteriores das casas, vai encontrar, aqui e ali, marcas relativas ao culto judaico.

Entre a Rua Direita e a Rua Fonte da Rosa, delicie-se com as hortênsias que as moradoras cultivam há tanto tempo, e com tanto cuidado, e que tornam a rua florida quando chega a primavera.

Entre numa loja e troque dois dedos de conversa com quem aqui vive e trabalha. Com um pouco de sorte e simpatia, consegue que lhe mostrem o poço de onde se recolhia a água, ou até mesmo as antigas passagens secretas que permitiam aos judeus circular secretamente entre as casas para manterem, em segredo, os seus rituais.

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A VILA QUE ATRAI JUDEUS DE TODO O MUNDO 

Tal como Fátima atrai os católicos, Belmonte atrai turistas judeus de todo o mundo. Desde logo, porque é aqui que está instalado o Museu Judaico. Um espaço único, que conta a história deste povo em Portugal. Afinal, Portugal é a origem de muitas famílias judaicas. Assim sendo, os judeus que visitam Belmonte vêm em busca da história do seu povo. Eventualmente, das suas próprias raízes familiares.

Por outro lado, Belmonte tem uma história única ligada a este povo. Afinal, aqui se manteve uma comunidade oculta de judeus, com uma história peculiar. Em vez da habitual história de perseguição, Belmonte representa a integração deste povo. Mais do que isso, representa a perseverança na fé, mesmo que em segredo.

Por isso, Belmonte desvenda uma parte única da história dos judeus. Um segredo revelado no início do século XX: a dos criptojudeus. Um caso insólito em todo o mundo. Durante séculos, os judeus de Belmonte praticaram a sua fé em segredo, deturpando a doutrina original. Ao mesmo tempo, ignoravam que existia uma comunidade judaica espalhada pelo mundo, a seguir a mesma fé.

O MODO DE VIDA JUDAICO NA VILA DE BELMONTE

De facto, o número de visitantes hebraicos à vila beirã de Belmonte tem vindo a aumentar exponencialmente. Com efeito, atendendo a isso, tanto a hotelaria como o comércio têm vindo a adaptar-se a esta realidade.

De facto, um bom exemplo é o Belmonte Sinai Hotel, que se adaptou ao modo de vida judaico. Assim, o dia sagrado de descanso, não se toca em dinheiro ou em tecnologia. Desligamo-se as televisões, entregam-se chaves manuais em vez das eletrónicas.

A par disso, os elevadores, da marca Schindler, o industrial alemão que salvou 1200 judeus do Holocausto, também não são usados no shabbat.

A história repete-se 65 quilómetros para norte, no Hotel Turismo de Trancoso, também de quatro estrelas. Uma unidade de alojamento de traça moderna, decoração contemporânea e tons neutros.

Com efeito, este hotel abriu portas em agosto de 2008, e a dada altura começaram a receber excursões de pessoas com a fé judaica. Por isso, decidiram instalar duas cozinhas, uma delas vocacionada exclusivamente para alimentação kosher.

A ORIGEM DAS PERSEGUIÇÕES AOS JUDEUS EM PORTUGAL

A história dos judeus portugueses e espanhóis, que hoje aqui é procurada, teve uma viragem dramática no século XV, que causaria mais uma diáspora deste povo desde sempre perseguido.

No século XV, apesar de os judeus estarem plenamente integrados na sociedade e desempenharem um papel importante na vida financeira e cultural tanto em Portugal como em Espanha, a diferença religiosa falou mais alto: em 1492, quando reinava em Portugal D. João II, os reis católicos de Espanha ordenaram a expulsão dos judeus.

Muitos fugiram para Portugal e refugiaram-se em grandes cidades como Lisboa, Porto ou Évora, mas também em localidades próximas da fronteira, como Vila Nova de Foz Côa, Guarda, Trancoso, Marialva, Numão ou Belmonte. Tinham, possivelmente, a esperança de que a expulsão fosse revogada e pudessem regressar ao país de origem.

No entanto, a revogação do decreto espanhol não aconteceu e, em vez disso, o rei sucessor, D. Manuel I, ao pedir a mão da filha dos reis católicos na ambição de unificar a Península Ibérica, teve de acatar a imposição de expulsar os judeus também de Portugal. O rei, que até escolhera um médico particular judeu, Abraão Zacuto, igualmente matemático e astrónomo, a quem inclusive consultara inclusive sobre a expedição de Vasco da Gama à Índia, lá assinou o edital de expulsão, em finais de 1496.  Se não saíssem do país,  seriam condenados à morte e os seus bens confiscados pela Coroa

UMA SOLUÇÃO ALTERNATIVA

No entanto, com a expulsão dos judeus, sairia também do país boa parte do seu capital financeiro e know how.  D Manuel I apresenta então uma solução alternativa: a conversão (forçada) ao cristianismo.

Esta era uma opção aparentemente pacífica, mas que acabou se traduzir em medidas drásticas, pois muitos judeus preferiram o suicídio. Aconteceu também, na Páscoa de 1497, a retirada dos filhos às famílias judias, entregando-os a famílias cristãs. E isto, segundo conta o cronista Damião de Góis, fez com que muitos pais, em desespero, preferissem a morte dos filhos, degolando-os ou afogando-os.

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DA CONVERSÃO FORÇADA AO CRIPTOJUDAÍSMO

Enfim, tragédias à parte, o bom senso e serenidade de muitos judeus acabou por assegurar a paz para o seu povo. Deste modo, concordaram em converter-se (aparentemente) ao catolicismo. Em troca, pediam ao rei a restituição dos filhos. Adicionalmente, foi também pedido que, durante 20 anos, não houvesse inquirições à sua prática religiosa.

Com efeito, o rei acedeu a estas condições e deu assim. Na prática, deu o seu aval a um fenómeno que veio a existir em Portugal: o criptojudaísmo. Ou seja, para preservarem as suas vidas e sem contrariarem a sua fé, muitos judeus acabaram por fazer aparentes conversões. Contudo, em privado mantinham o seu culto original. Desta forma, nasceu o judaísmo secreto, ou criptojudaísmo.

O criptojudaísmo é, ainda hoje, bem visível em Belmonte. Seja na arquitetura da judiaria do centro histórico, nas marcas das paredes, ou no interior das casas. Mas também nas histórias das famílias, na sinagoga moderna que finalmente trouxe o culto judaico à luz do dia e, claro, no Museu Judaico.

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