Vidigueira: terras de pão, gentes de paz

BOM VINHO, PÃO ALENTEJANO E MUITA RIQUEZA HISTÓRICA

A Vidigueira é sinónimo de bom vinho, do original pão alentejano, de azeite, e ainda da sua ligação ao navegador Vasco da Gama, a quem esta terra foi concedida. É também na Vidigueira que se encontra uma das mais impressionantes heranças romanas: as ruínas de São Cucufate.

A Vidigueira é uma pacata vila da planície do Baixo Alentejo.Desde o tempo dos romanos que estas terras férteis produzem boa uva, e dela se faz um dos mais afamados vinhos nacionais. Uma das mais bonitas e significativas provas da produção milenar de vinho nesta região é uma sepultura, exposta na Câmara Municipal. Pertenceu a um nobre visigótico, há mil e quinhentos anos, e os entalhes na pedra representam videiras. No entanto, também o turismo tem vindo a ganhar expressão no concelho da Vidigueira. Algo que não é de espantar. Afinal, além de ser uma bonita vila alentejana, esta é uma região com milénios de história.

«Maio frio e junho quente: bom pão, vinho valente»  

É assim na Vidigueira, onde o vinho e o pão nunca faltam. A cultura da vinha atinge todo o seu esplendor neste território, e produz bom vinho há muitos séculos. Hoje, além de ser a principal riqueza da região, o vinho da Vidigueira é afamado e premiado a nível internacional.

A par do vinho, o pão é outros dos alimentos que os portugueses não dispensam à mesa. Fiéis à tradição, aqui na Vidigueira produz-se o típico pão alentejano. Um pão de qualidade secular, feito com os ingredientes de sempre – água, farinha de trigo, fermento e sal. Contrariando as pressões do mundo moderno, são dispensados quaisquer outros ingredientes que lhe retirem a qualidade ou o sabor característico. Assim, o pão é amassado à mão, fermentado com a típica paciência alentejana e cozido num forno de lenha. Por isso, é do melhor que encontra no país. Com sorte, poderá encontrá-lo também à venda em outras paragens.

Dos romanos à Idade Média

O turismo tem vindo a ganhar expressão no concelho da Vidigueira, o que não é de espantar. Afinal, além de ser uma bonita vila alentejana, esta é uma região com milénios de história.

Pensa-se que esta região tenha sido habitada desde a Idade do Ferro, mas as evidências mais antigas que encontramos no concelho da Vidigueira são romanas, do início da era Cristã. Assim sendo, se percorrer a estrada entre a Vidigueira e o Alvito, junto a Vila de Frades vai encontrar uma das mais impressionantes e bem conservadas estruturas do período romano existentes em Portugal. Falamos da villa romana de São Cucufate.

Foi nestas ruínas romanas que se encontraram alguns dos mais antigos vestígios de produção vínica em Portugal. Há dois mil anos, a uva era fermentada pelos romanos dentro de talhas de barro, com uma pequena abertura em cima, e assim se transformava em vinho.

Uma das mais bonitas e significativas provas da produção milenar de vinho nesta região é uma sepultura cujos entalhes na pedra representam videiras. Este achado data de há mil e quinhentos anos, pertenceu a um nobre visigótico e encontra-se exposta na Câmara Municipal da Vidigueira.

Uma villa romana habitada por frades

Como se depreende pelo nome, São Cucufate não é nenhuma divindade romana, embora seja esta a designação atribuída às ruinas romanas de Vila de Frades. Na verdade, Sºao Cucufate foi um santo da Cristandade, e a dada altura da história o catolicismo cruzou-se com a herança romana que aqui existia.

Comecemos pelo início: a villa romana de São Cucufate foi construída e reedificada entre os séculos I e IV. No entanto, com a queda do Império Romano e o início da era cristã, viria a ser, na Idade Média, habitada por frades que aqui se instalaram.

Felizmente, estes religiosos tiveram o cuidado de preservar as estruturas originais. Por isso, graças a eles, ainda hoje podemos percorrer livremente os corredores e escadas que os proprietários romanos terão outrora percorrido. Como se isso não bastasse, este invulgar edifício romano com dois andares foi enriquecido, no século XVI, com raros frescos pintados nas paredes. Ainda hoje podem ser apreciados, na antiga capela. Conheça mais sobre as ruínas de São Cucufate aqui.

Uma das poucas regiões do mundo a produzir vinho de Talha

De acordo com o Professor Virgílio Loureiro, académico e especialista em Enologia, a técnica de produzir vinho terá surgido originalmente na região do Cáucaso, há quatro mil anos. Os romanos adotaram-na, e foi através deles que herdámos a tradição de fermentar a uva em talhas de barro. Uma técnica milenar que se foi perdendo ao longo dos tempos, substituída por novas técnicas de enologia que evitam o contacto do vinho com o oxigénio.

No entanto, conforme explica o professor Virgílio Loureiro, o fabrico de vinho de talha manteve-se de forma ininterrupta em algumas localizações do globo, sendo uma delas o nosso Alentejo.

Pode conhecer o processo na Casa das Talhas, na Vidigueira, inaugurada em 2019, um projeto da Adega Cooperativa da Vidigueira, Cuba e Alvito. Pode ainda visitar, em Vila de Frades, a Adega Museu Cella Vinaria Antiqua, instalada num bonito edifício do século XIII que, ao longo do tempo, serviu de adega e taberna. E, claro, não pode sair da Vidigueira se provar o vinho de Talha. Entre diversas opções, sugerimos o restaurante típico País das Uvas onde, além de se deliciar com a boa comida alentejana, estará rodeado por autênticas talhas de barro e por sons dos cantares alentejanos. Bom apetite!

Uma terra com ilustres proprietários 

Segundo reza a história, terá sido Mestre Tomé, no século XIII, o primeiro donatário da Vidigueira. Segundo consta, era tesoureiro da Sé de Braga, durante o reinado de Afonso III.

No entanto, esta terra fronteiriça passaria para novas e ilustres mãos. no início do século XIV. O rei D. Dinis fez retornar a posse da vila para a Coroa e, em 1385, o novo rei D. João I tomou a iniciativa de a doar a D. Nuno Alvares Pereira.

O Condestável do reino deixou-a de herança à filha, D. Beatriz Pereira Alvim, e a vila passou para a posse da Casa de Bragança quando a jovem desposou D. Afonso, Conde de Barcelos e 1º Duque de Bragança.

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A Vidigueira é uma típica vila alentejana, caiada em de branco. Terras de pão, gentes de paz é o seu lema. Falta a referência ao vinho, que produz de forma exímia. A vila foi prémio para o navegador que descobriu o caminho marítimo para a Índia, Vasco da Gama, e acolheu uma das mais bem preservadas villas romanas do país: São Cucufate.

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Da Índia para a Vidigueira

Se passear pelas ruas da Vidigueira, possivelmente chegará a uma praça onde se destaca, no centro, uma imponente estátua. Representa o navegador Vasco da Gama, que em 1498 descobriu o caminho marítimo para a Índia. Além de ser uma ilustre figura da história, Vasco da Gama tem uma estreita ligação à vila da Vidigueira.

Após as suas gloriosas explorações marítimas, ao serviço do rei D. Manuel, o rei quis recompensar o navegador pelos seus valiosos serviços.

Assim, terá inicialmente querido oferecer-lhe a vila de Sines, berço do navegador, na costa alentejana. No entanto, a vila não pertencia à Coroa, mas sim ao Mestre da Ordem de Santiago, D. Jorge de Lencastre, filho ilegítimo do seu antecessor e outrora também candidato ao trono.

Assim sendo, muitos anos passaram. E, perante a impossibilidade de oferecer Sines ao almirante que já desesperava pelo seu prémio, D. Manuel decide oferecer-lhe esta vila no interior alentejano.

O ilustre navegador que descobriu o caminho marítimo para a Índia tornou-se, em 1519, o primeiro Conde da Vidigueira.

O antigo Paço dos Gamas

O castelo da Vidigueira terá sido o antigo paço da família Gama. Terá sido construído entre finais do século XV e inícios do século XVI. Hoje pouco resta da estrutura original, mas uma das torres está ainda bem preservada. No século XIII, decorria a defesa e povoação dos territórios recentemente conquistados aos castelhanos, a sul do Tejo. A Vidigueira era um desses territórios, e o seu castelo era um dos postos de vigia da fronteira. A torre quadrangular que hoje caracteriza o castelo da Vidigueira data, data provavelmente da sprimeira metade do século XV.

Esta fortificação pertenceu inicialmente a mestre Tomé, tesoureiro da sé de Braga, posteriormente passou para a posse do Condestável D. Nuno Álvares Pereira e, através do casamento da filha deste, para a Casa de Bragança. Retornou à posse da coroa no reinado de D. Manuel, que ofereceu a vila e o paço que outrora integrava o castelo, ao almirante Vasco da Gama, em 1519, apenas sete anos após conceder foral à vila da Vidigueira. Embora tario, era um agradecimento pelos serviços prestados ao reino, com a descoberta do caminho marítimo para a Índia.

Por indicação régia, a 7 de novembro de 1519 o almirante Vasco da Gama entra na posse deste edifício e da vila da Vidigueira. O acordo é formalizado com o anterior proprietário, o duque de Bragança, num contrato de “promutaçam vemda e escaybo e Renuciaçam”.

Do paço original, restará apenas uma janela geminada em estilo manuelino, que se pensa ter pertencido ao antigo paço dos Gamas. Numa das fachadas da torre, foi colocada a pedra de armas da família Gama, com cinco escudetes em forma de cruz.

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